Gestão de Pessoas se faz com Comprometimento Social

16.09.2014
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A educação financeira familiar é um tema secundário na preocupação das instituições educativas da sociedade.

A educação financeira familiar é um tema secundário na preocupação das instituições educativas da sociedade. Em contrapartida, os problemas – que o analfabetismo financeiro gera -, repercutem na vida de milhares de brasileiros. No ambiente de trabalho, uma das formas de notificarmos a existência desta problemática dá-se na observação de alguns sintomas: acidentes de trabalho, absenteísmo, problemas de relacionamento interpessoal entre as equipes, turnover alto, sendo este último predominantemente marcado por solicitações de “acordos”, ou seja, colaboradores que procuram o RH com o intuito de que a empresa o demita sem justa causa. Para o trabalhador endividado, este tipo de demissão parece ser o elixir para seus problemas, pois além das verbas rescisórias, anseia pelo seguro desemprego.

Este assunto reclama por debates e reflexões acerca dos direitos trabalhistas; a banalização das rescisões sem justa causa acaba gerando um problema social, a saber, o desemprego consciente.

Se muitos trabalhadores mostram-se mais interessados em usufruir temporariamente de suas verbas rescisórias e seguro desemprego a manterem a estabilidade no trabalho e investir na progressão de suas carreiras, podemos diagnosticar aí um problema social, pois um benefício importantíssimo para a segurança do trabalhador em situação de desemprego tem, muitas vezes, sido utilizado de forma incongruente ao seu real objetivo. Obviamente, não podemos pensar de forma simplista ao elucubrar soluções para esta questão tão complexa.

É imprescindível que haja políticas públicas de emprego e renda sólidas e efetivamente alicerçadas na realidade brasileira, bem como uma revisão judiciária acerca das relações trabalhistas. Vale lembrar que a Lei nº 7.998/90 prevê que o benefício do seguro desemprego pode ser cancelado caso o trabalhador desempregado recuse outra oportunidade de emprego compatível em função e remuneração à sua ultima experiência. A lei não é nova, contudo, sua aplicabilidade está em voga mediante consolidação e ampliação de um cadastro de emprego nacional online; o portal “Mais Emprego”.

Retomando o viés social do assunto em pauta, trazemos para dentro das empresas a parcela de responsabilidade que lhes competem no enfrentamento do analfabetismo financeiro e que parece estar diretamente relacionada com esta evasão empregatícia. Curioso ainda observar que, apesar de várias empresas anunciarem oportunidades de trabalho, o desemprego não é aplacado. A vaga espera pelo trabalhador e o trabalhador espera pela vaga, contudo, as duas peças do quebra-cabeça não se encaixam. Independente do segmento de negócio das empresas, o capital humano, em grande ou pequena escala, é essencial para sua sobrevivência. Assim, dentre outras responsabilidades de praxe, como: investimento em qualificação profissional, motivação e integração dos colaboradores, equilíbrio interno e externo da remuneração, uma tarefa importantíssima e valiosa para empregado e empregador é a promoção da educação financeira familiar.

O analfabetismo financeiro não está necessariamente ligado à escolaridade do trabalhador, mas à alienação frente à sedução do consumismo. Basta olharmos à nossa volta para identificarmos o bombardeio de incentivos ao consumo desenfreado e desnecessário: propagandas televisivas, as próprias embalagens dos produtos consumidos, associação de desejos egóicos aos produtos comercializados, supervalorização de marcas (mais valia) etc. Tudo isto associado às facilidades de créditos, de compra e de formas de pagamento induzem as pessoas às tão sedutoras “comprinhas”. Até o estágio da aquisição, tudo é facilitado.

Depois, quando a prática de comprar não tem controle e programação, resta conviver com insônias, dores de cabeça, mau humor e no ambiente de trabalho, uma insatisfação latente, pois fica sempre a sensação de que o resultado de seu labor é insuficiente para lhe proporcionar qualidade de vida e, em casos mais graves, condições básicas de sobrevivência.

O RH pode intervir favoravelmente com medidas simples e acessíveis:
– Palestras internas sobre educação familiar.
– Palestras esclarecedoras estendidas aos cônjuges e filhos dos colaboradores.
– Folders educativos.
– Disponibilização de planilhas de orçamento doméstico.
– Parcerias com instituições de ensino que podem reforçar a inibição ao consumismo desenfreado etc.

A criatividade e a contextualização da realidade de cada empresa ficam a encargos dos gestores de RH, lembrando-se que o alicerce deste trabalho deve perpassar pelo equilíbrio interno e externo das remunerações, os quais são precedidos por pesquisas salariais e implantação de programa de cargos e salários na empresa.

Longe de trazer receitas milagrosas para o problema aqui exposto, o presente artigo tem o objetivo de convidar os gestores de RH a pensar reflexivamente sobre o assunto e assumir para si a responsabilidade social que lhes competem sobre o desemprego consciente dentro do contexto da relação do trabalhador com sua remuneração.

Fonte: Rh.com.br

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